A Rocha não treme: o que fazer quando a resposta de Deus não satisfaz

Igreja Viva | publicado há 22 horas

A Rocha não treme: o que fazer quando a resposta de Deus não satisfaz

Há um momento no livro de Habacuque em que a oração do profeta é respondida, e ele preferiria que não tivesse sido. Ele clamou “até quando, Senhor?” diante da violência e da justiça torcida em Judá, e Deus respondeu: “observem as nações, olhem e admirem-se, pois faço algo em seus dias, algo em que vocês não acreditariam”. A boa notícia durou um versículo. O que Deus estava fazendo era levantar os babilônios. Foi esse trecho, Habacuque 1.5-17, que o Pr. Eduardo Treumann pregou na manhã de domingo, 18/10, na segunda semana da série da IBB no livro do profeta. À noite, no mesmo salão, as crianças do ArtKids apresentaram o musical “Moisés e a Libertação”. Este artigo reúne a mensagem e, no fim, o que o musical acrescentou a ela.

Se Habacuque 1 fosse um filme

O pastor começou com uma confissão: depois de ler o capítulo várias vezes, “não pensei em escrever um livro, até porque o Pr. Silvado e o Pr. Kukul já fizeram, mas achei que ia dar um baita filme”. Que filme? Primeiro ele pensou em Batman: Gotham no lugar de Judá, devastada, crime, violência, e um inimigo de fora vindo destruir tudo. Mas “Habacuque justiceiro mascarado não combina”. Relendo o texto, chegou à conclusão: é um filme de desastre natural, “tipo Terremoto: A Falha de San Andreas”. O chão de Judá já tremia por causa dos assírios; quando o profeta se levanta para interceder pelo povo, “tudo começa a chacoalhar de vez”.


Cena 1: o chão começa a tremer

Nos versos 5 a 11, Deus responde ao “até quando?” do verso 2. “Deus fazer alguma coisa é sempre bom, né? Quem não quer que Deus faça algo em nossos dias? Deve vir coisa boa aqui. Isso deveria ser uma boa notícia. Mas não é.” O que Deus diz é: “estou mandando um terremoto maior do que você imagina”. Os babilônios eram a nova superpotência do mundo antigo, violentos, arrogantes, idólatras, conhecidos por conquistar os povos à força. E no meio da descrição há uma frase “ainda mais assustadora”: eles “decidem por si mesmos o que é certo”. Não reconhecem justiça acima deles. “Olha que ironia: no verso 4, Habacuque havia reclamado que a justiça estava torcida em Judá. Então Deus diz que usaria, para disciplinar Judá, um povo que fabricava a sua própria justiça. Habacuque pediu justiça, e Deus respondeu levantando uma nação que dizia: justiça é aquilo que nós decidimos que é justiça.”

Piora. No verso 11, eles “têm como deus, com letra minúscula, a sua própria força”. No 16, oferecem sacrifício às próprias redes de pesca: “essas redes nos enriqueceram”. O pastor leu aí uma progressão: “primeiro, eu decido o que é certo. Depois, começo a acreditar que a minha força explica o meu sucesso. Finalmente, começo a adorar os instrumentos que me deram poder. A rede vira deus. A força vira deus. O sucesso vira deus. O meu dinheiro, a minha estabilidade.” Esse era o povo que Deus ia usar. “Agora você consegue entender por que o chão de Habacuque começou a tremer? O terremoto aqui não era apenas Deus usando um povo mais forte; era Deus usando um povo que havia transformado a própria força em divindade.”

A pergunta do profeta muda de lugar. “Habacuque havia perguntado: Deus, por que o Senhor não faz nada? Agora a pergunta é outra: Deus, como é que o Senhor pode fazer uma coisa dessa com a gente? A resposta de Deus criou uma pergunta maior ainda.” Os autores do livro do mês, A Essência da Fé, resumem assim: “Habacuque parecia sofrer com o silêncio de Deus. Agora, sofre com a fala de Deus. Antes, a pergunta era: por que Deus não age? Agora, a pergunta passa a ser: como Deus pode agir assim?”. “Ele pediu que Deus agisse. Deus agiu. Mas não do jeito que ele esperava.” E o dilema: “para onde correr no meio desse grande terremoto? Viver em um país que não tem terremotos não significa que o chão onde nós pisamos é seguro.”


Cena 2: o nosso chão treme quando Deus não segue o nosso roteiro

“Você e eu temos roteiros muito bem definidos na nossa mente. Quando Deus não responde como você esperava, o que você faz? Você decide esperar ou decide espernear?” Nós dizemos “seja feita a tua vontade”, disse o pastor, mas já temos uma versão bem clara de como essa vontade deve ser. “Senhor, eu estudei tanto para aquele concurso, por que eu não passei? Pai, eu tenho cuidado tanto da minha saúde, por que essa doença agora? Deus, eu tenho orado tanto por esse filho que está longe do Senhor. Eu estou fazendo a minha parte, por que o Senhor não faz a sua?” O diagnóstico: “nós queremos confiar em Deus, mas frequentemente condicionamos essa confiança à compreensão dos caminhos dele. Se eu entender, eu confio.”

Daí a frase que a igreja levou para casa: “a ideia de que quando Deus fecha uma porta ele abre uma janela é fake news. É papo de coach para você achar que é você que manda nesse negócio. Se Deus quiser, ele fecha a porta, fecha a janela e você bate bem de cara. Porque ele é soberano. E sabe o que é incompreensível? Ele continua sendo bom. E ele continua sendo Deus, mesmo quando você e eu não entendemos.”

O pastor não se poupou. “Queridos, eu não sei por que eu tenho amigos que perderam o bebê deles, que eles tanto esperavam. Eu não sei por que os meus avós morreram antes de verem os filhos deles voltando para Jesus. Eu não sei por que eu tenho irmãos queridos perdendo a luta contra o câncer. Eu não sei.” E então o verso que dá nome à cena: “é terrível quando nós descobrimos que aquilo que nós pensávamos ser a nossa rocha sólida talvez fosse apenas o nosso roteiro, o nosso script. E aí, quando o terremoto vem, nós descobrimos onde realmente estavam os nossos pés.” Queremos um Deus soberano, “só que esperamos uma soberania previsível”. “O problema muitas vezes não é quando Deus parece ausente, mas quando ele se mostra presente de uma maneira que nós não queremos.”


Cena 3: Habacuque encontra a Rocha

“E é nesse ponto que Habacuque se lembra onde é que ele está firmado.” O profeta continua cheio de perguntas, “mas antes de fazer a pergunta, ele se lembra quem Deus é”. É o clímax do filme: “depois de correr muito, Habacuque encontra a rocha, a segurança que ele precisava para continuar perguntando”. O verso 12 começa assim: “ó Senhor, meu Deus, meu Santo, tu que és eterno, certamente não planejas nos exterminar! Ó Senhor, nossa Rocha, enviaste os babilônios para nos disciplinar”. “Antes de falar sobre aquilo que ele não entende, ele afirma aquilo de que tem certeza. Ele chama Deus de Senhor, meu Deus, meu Santo, minha Rocha.”

Habacuque já entendeu uma coisa: a Babilônia não está fora do controle de Deus. “Os babilônios achavam que faziam o que queriam. Mas Habacuque começa a enxergar algo que a Babilônia não conseguia ver: eles não eram os donos da história, eram apenas instrumentos de Deus dentro da história. A Babilônia dizia: a nossa força fez isso. Deus dizia: eu os levantei.” Ele ainda não entende por quê, “mas reconhece quem continua no controle. Habacuque sabe que está em solo seguro”.

Só então vem a pergunta mais dura, no verso 13: “tu és puro e não suportas ver o mal e a opressão; permanecerás indiferente diante desses traiçoeiros? Ficarás calado enquanto os perversos engolem os que são mais justos que eles?”. O pastor traduziu: “Senhor, eu sei que o mal não te traz alegria. Eu sei quem tu és. E é exatamente por isso que eu não consigo entender o que estou vendo. O Senhor é bom, eu sei, mas eu não consigo entender.” Habacuque reconhece que Judá merece correção; o que ele não entende é como um Deus santo pode usar alguém ainda mais perverso como instrumento dessa correção. “Ele questiona Deus com reverência. Um questionamento sem quebra de relacionamento. Você consegue fazer isso com Deus? Isso só é possível porque ele estava sobre a rocha.”


Uma rede e uma Rocha

Nos versos 14 a 17, o profeta usa a imagem dos peixes fisgados, das redes cheias e do pescador que queima incenso para a própria rede. “Você percebe um contraste aqui? No mesmo texto existe uma rocha e uma rede. A Babilônia confia na rede, mas Habacuque se apega na rocha. A Babilônia olha para aquilo que está funcionando até agora e diz: é isso que me faz forte. Só que Habacuque olha para aquilo que ele não compreende e diz: o Senhor continua sendo o meu Deus, o meu Santo, a minha Rocha.”

“Essa, meus irmãos, é uma diferença entre idolatria e fé. A idolatria confia naquilo que pode ser controlado.” E a fé? O pastor leu Oswald Chambers duas vezes, para a igreja gravar: “fé é confiança deliberada no caráter de Deus, cujos caminhos talvez você não compreenda naquele momento”. “Habacuque confia, mas continua confuso. Você já se sentiu assim? A Babilônia continua vindo. Só que agora ele sabe que no meio do terremoto encontrou segurança.”

E então a frase que resume a manhã: “Judá continua tremendo. O terremoto está piorando. A compreensão do profeta está tremendo. O futuro da nação está tremendo. Mas a Rocha não está tremendo. O Senhor, ou, como o profeta chama, a Rocha, não responde imediatamente todas as perguntas de Habacuque. Mas a Rocha sustenta Habacuque enquanto ele faz as perguntas.” É o momento do filme em que o espectador se coloca no lugar do protagonista: “será que comigo seria assim? Será que eu ia conseguir correr igual a ele, subir? Ou eu teria sido engolido pelo terremoto?”.


Cena 4: firmados na Rocha mesmo sem entender

“A grande lição do capítulo 1 de Habacuque para nós é que, quando não entendemos o que Deus está fazendo, podemos continuar firmados na Rocha.” O pastor foi cuidadoso com a promessa: “Habacuque 1 não promete que, se você confiar bastante, Deus explicará tudo. Você pode não entender os caminhos de Deus e ainda assim permanecer seguro no caráter dele.” A regra prática: “quando você não souber o que Deus está fazendo, lembre-se de quem Deus é. Quando você não entender mais nada, ache a rocha e corra para a rocha.” E a confissão possível: “talvez eu não consiga dizer ‘eu sei por que isso aconteceu’. Mas certamente eu posso dizer: eu sei em quem eu tenho crido”, o hino que a igreja tinha acabado de cantar.

A missão do texto é clara: “leve as suas perguntas a Deus mantendo os pés firmados em seu caráter. Não abandone a reverência. Não transforme dúvida em afastamento. Não finja que está tudo bem. Mas também não conclua que Deus deixou de ser Deus só porque você não compreende os caminhos dele.” O roteiro do filme, resumido: “o terremoto começa, o negócio vai piorando, o desespero vem, Habacuque corre e encontra a rocha. A cena final mostra Habacuque firmado na rocha, ainda cheio de questionamentos, mas entendendo que é ali que ele deve continuar se quiser sobreviver.” A trilogia não acaba no capítulo 1; “se você quiser saber o final, vai ter que ler o livro ou voltar semana que vem”.


Quem é a Rocha

O pastor terminou onde Habacuque não podia terminar. “Hoje nós temos ainda mais informações do que Habacuque tinha. Nós sabemos que a Rocha de Habacuque veio à terra. Nós sabemos que a Rocha se entregou pelos pecados do povo e trouxe solução de uma vez por todas. Quem é a Rocha? Jesus Cristo é a Rocha da nossa salvação. Ele sofreu a consequência da iniquidade do povo de Judá, da Babilônia e do nosso pecado, para que todo aquele que nele crê não morra nesse terremoto, mas tenha certeza de que no meio do terremoto você estará firme.” E um dia, “viveremos para sempre em um outro lugar onde Cristo é rei, livres de terremotos, livres do pecado, livres de toda dor”. No apelo, pessoas entregaram a vida a Cristo e a igreja inteira ficou de pé, “como um simbolismo de: Senhor, eu estou em pé na Rocha da minha salvação”.


À noite, o Mar Vermelho

Horas depois, o mesmo salão contou a mesma história com outro elenco. As crianças do ArtKids, ministério de artes infantil da IBB, apresentaram o musical “Moisés e a Libertação”, depois de um sábado de oficinas com os Guardiões do Reino. [Número] crianças encenaram o povo que clamou por séculos na escravidão do Egito, o homem que enfrentou o Faraó, as pragas, a Páscoa e a travessia do mar. [Um parágrafo sobre a apresentação: cenas marcantes, músicas, reação da igreja, equipe responsável.]

Israel no Egito fez a pergunta de Habacuque, “até quando?”, por quatrocentos anos. Quando a resposta veio, não seguiu roteiro nenhum: um pastor de ovelhas gago, um Faraó que endurecia a cada praga, e, no fim, um exército atrás e um mar pela frente. Foi ali, no lugar onde não havia saída, que Deus abriu caminho. As crianças mostraram, sem precisar explicar, o que o pastor tinha pregado de manhã: a resposta de Deus pode demorar e pode vir diferente do esperado, e Ele continua sendo Deus. “Uma jornada épica que nos revela a fidelidade inabalável de Deus e seu poder de abrir caminhos impossíveis”, dizia o convite do musical. Habacuque assinaria.

Habacuque pediu justiça e recebeu a Babilônia. Israel pediu libertação e recebeu um mar na frente. Nós pedimos a porta aberta e, às vezes, encontramos a porta e a janela fechadas. O capítulo 1 de Habacuque não explica por quê; ensina o que fazer. Antes de perguntar o que você não entende, afirme o que você sabe: Senhor, meu Deus, meu Santo, minha Rocha. Depois pergunte, com reverência, tudo o que quiser. A Rocha não vai responder tudo de imediato. Mas ela vai sustentar você enquanto você pergunta. E, no fim do filme, o que fica de pé não é o roteiro. É a Rocha.



Artigo produzido pelo Ministério de Comunicação da IBB a partir da mensagem ministrada em 18/10/2026 pelo Pr. Eduardo Treumann (Habacuque 1.5-17), na série “A Essência da Fé”, e do musical “Moisés e a Libertação”, do ArtKids. Citações do livro A Essência da Fé: reflexões baseadas no livro de Habacuque (L. Roberto Silvado e Antonio V. Kukul Filho, Discipular/REBAP) e de Oswald Chambers, The Oswald Chambers Devotional Reader.

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