Ninguém nasce na cadeira 4: o caminho de quem foi alcançado até virar alguém que alcança.

Discipular | publicado há 10 horas

Ninguém nasce na cadeira 4: o caminho de quem foi alcançado até virar alguém que alcança.

As duas mensagens que fecharam o mês dos 67 anos descrevem a mesma caminhada. Uma dá o mapa. A outra, o motor.


Domingo, no encerramento do mês de aniversário da IBB, quatro cadeiras foram colocadas no palco. O Pr. Eduardo Treumann chamou voluntários e, um a um, foi mudando-os de cadeira: do curioso ao crente, do crente ao comprometido, do comprometido ao multiplicador. Na mensagem seguinte, o Pr. Marcos Paulo não falou de cadeiras; falou de um poço. E de um Deus que, em vez de mandar uma corda, desce.

Durante a semana, nas redes e no e-mail, repercutimos os dois lados: a cadeira do crente que é confortável demais e o Deus que não nos deixa no fundo do poço com um cobertor. Este artigo tenta colocar as duas imagens uma sobre a outra. Porque, quando a gente faz isso, aparece uma coisa que nenhum dos dois sermões disse sozinho: cada cadeira do discipulado corresponde a um movimento de Deus em nossa direção. Ninguém nasce na cadeira 4. E ninguém chega lá por conta própria.


Cadeira 1: o curioso e o Deus que desce

“Venham e vejam.” Foi o que Jesus respondeu a dois discípulos de João Batista que o seguiam de longe, curiosos, sem saber direito o que queriam. A palavra, lembrou o pastor, significa literalmente “apareçam”. Chega aí. E eles passaram o resto do dia com ele.

Não há problema nenhum em começar na cadeira do curioso. Todos começamos nela. O problema é achar que Jesus nos encontrou lá porque fizemos alguma coisa. Romanos 5 diz o contrário: “quando estávamos completamente desamparados, Cristo veio”. O Pr. Marcos Paulo insistiu que “desamparados” não é figura de linguagem para uma fase difícil; é incapacidade. E a resposta de Deus à nossa incapacidade não foi uma corda, nem uma técnica, nem um manual de como sair do poço. Foi descer. “É o próprio Deus indo à cracolândia para ficar perto de quem está escravizado.”

A curiosidade da cadeira 1 só existe porque alguém desceu primeiro. Compaixão, disse o pastor, não é sentir pena: é mover-se. Deus se moveu.


Cadeira 2: o crente e o Deus que vai à causa

“Siga-me.” O segundo convite leva o curioso à decisão. Alguém falou de Jesus, ele creu, foi batizado, é crente. E aqui o Pr. Treumann fez a plateia rir e depois se calar: a cadeira do crente é confortável, e ainda cabe mais gente nela. De vez em quando aprendo algo da Bíblia. De vez em quando dou umas risadas no culto. De vez em quando gosto da mensagem, depende do pastor. De vez em quando dou uma oferta. Está tudo certo. Estou salvo, seguro e satisfeito.

O Pr. Marcos usou outra imagem para a mesma cadeira: o cobertor. “Tem crente que quer viver de Tylenol. Tem crente que quer viver no fundo do poço com cobertorzinho novo todo dia.” Deus, porém, não desce ao poço para nos agasalhar lá embaixo. Ele vai à causa. O problema não era só sofrimento; era pecado, e pecado se trata com justiça. Na cruz, compaixão e justiça se encontram: “uma justiça banhada em amor”, o juiz que tira a toga e paga o preço.

E essa justiça continua trabalhando depois da conversão. “Tem muita gente que sai do fundo do poço, mas o fundo do poço não sai do coração dela.” O pastor chamou de “fontes de injustiça” aquilo que Deus quer tirar de dentro de nós: o perdão não concedido, a amargura, o pecado que aprendemos a administrar. Contou da própria adolescência, um jovem convertido e violento, e do discipulador que disse “tem algo aí que precisa ser trabalhado”. Era amargura. O perdão doeu. E libertou.

A cadeira 2 é confortável porque ali a gente ainda é cuidado sem ser tratado. Sair dela começa quando deixamos Deus ir à raiz.


Cadeira 3: o comprometido e os quatro passos de Jesus

“Sigam-me, e eu farei de vocês pescadores de gente.” Muita gente lê Mateus 4 como o primeiro encontro de Jesus com Pedro e André. Não foi: eles já caminhavam com ele havia uns dezoito meses. O terceiro convite é para quem já crê. “Eu não quero vocês simplesmente me ouvindo. Eu quero vocês trabalhando.”

O Pr. Treumann mostrou que Jesus não jogou os discípulos no trabalho. Ele os treinou em quatro passos, e é assim que a IBB quer formar quem serve: eu faço, você vê; eu faço, você ajuda; você faz, eu ajudo; você faz, eu vejo. Os discípulos observaram Jesus pregar e curar, ajudaram a organizar as multidões, foram enviados de dois em dois com ele na retaguarda e voltaram para prestar contas.

A cadeira 3 custa. Exige tempo, talentos e tesouros, e o pastor foi concreto: o que vem primeiro, a festa de aniversário ou o compromisso que você assumiu na igreja? O upgrade no carro ou a viagem missionária? A assinatura do streaming ou o sustento de um missionário? “É isso que vai mostrar onde você está sentado.” Mas ela também devolve o que a cadeira 2 não dá: prazer, realização e alegria. “Conheço uns aqui que, se deixar, moram na igreja.”

É a cadeira que muitas vezes está vazia. Os trabalhadores são poucos.


Cadeira 4: o multiplicador e a igreja missional

“Já não os chamo de escravos… Agora vocês são meus amigos… Eu os escolhi para irem e produzirem frutos duradouros” (João 15.15-16). O quarto convite vem no fim do ministério de Jesus, para discípulos que já trabalhavam. “Eu não chamo mais vocês de voluntários”, traduziu o pastor. “Vocês devem ir e fazer o mesmo que eu fiz com vocês.”

É aqui que as duas mensagens se tornam uma só. A cadeira 4 é exatamente o que o Pr. Marcos Paulo chamou de igreja missional: quem foi alcançado pela compaixão vive compaixão; quem foi transformado pela justiça promove justiça; quem foi reconciliado reconcilia. Romanos 5.17 diz que os que recebem a graça “reinarão em vida”, e reinar, na prática, é levar o Reino para onde a gente já está: a profissão, o condomínio, a empresa, a faculdade. É o pequeno grupo que deixa de ser bolha e pergunta “por que Deus nos colocou neste bairro?”. É a presença fiel, com toalha e bacia. E às vezes é voz profética que vai à causa da dor, como os profetas diante do suborno e das leis injustas, ainda que custe o emprego.

Ninguém nasce na cadeira 4. Mas Mateus 28, lembraram os dois pastores, não foi dito só aos doze. Tem dois imperativos: façam discípulos e tenham certeza de que estou com vocês. O mandato é para todo crente. A capacitação também.

Talvez você tenha lido este artigo tentando descobrir a sua cadeira. Faça isso sem culpa. Jesus sempre começou com a pessoa onde ela estava, e o pastor lembrou a música antiga: “pouco a pouco, a cada dia, Cristo transforma-me”. Ninguém pula da 1 para a 4. Mas ninguém foi feito para ficar na 2.

O passo prático é um só, e é o próximo. Se você está na cadeira 1, o convite é “siga-me”: fale conosco sobre batismo. Se está na 2, é servir: há lugar nos guardiões, no ministério infantil, na educação, na integração, no apoio de palco. Se está na 3, é a oração que o pastor pediu no apelo: “Senhor, quem pode caminhar comigo? Eu estou disponível.” E, em qualquer cadeira, é deixar Deus ir à causa: o perdão que não saiu, a amargura antiga, o cobertor que virou casa.

O mês dos 67 anos terminou com batismos, quatro cadeiras no palco e uma filipeta na mão de muita gente. A chama do evangelho não fica parada em cadeira nenhuma. Ela passa de mão em mão. Em qual cadeira você está hoje? E quem vai sentar na próxima por causa de você?


Artigo produzido pelo Ministério de Comunicação da IBB a partir das mensagens ministradas em 27/09/2026 pelo Pr. Eduardo Treumann (João 1.39,43; Mateus 4.19; João 15.16) e pelo Pr. Marcos Paulo (Romanos 5.1-11,17), na Convocação Solene de encerramento do mês de aniversário.

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